quarta-feira, 12 de julho de 2017

Controle de plantas daninhas na Alfafa

As plantas daninhas podem reduzir consideravelmente a produtividade da cultura da alfafa, competindo por água, luz, nutrientes, além de reduzirem a qualidade da forragem e das sementes (PETERS e PETERS, 1992). O período crítico de competição estende-se dos 15 aos 50 dias após a emergência da alfafa (SILVA et al., 2004). Ou seja, esse período corresponde à fase em que as práticas de controle devem ser efetivamente adotadas. Assim, a comunidade infestante que se instalar após esse período não mais terá condições de interferir, de maneira significativa, sobre a produtividade da cultura da alfafa. Entretanto, para se estabelecerem métodos adequados de controle é importante que sejam feitos levantamentos das plantas daninhas presentes na área, pois um mesmo método de controle não apresenta eficácia em controlar todas as espécies existentes no local.
As principais plantas daninhas que infestam a cultura da alfafa, conforme listadas na Figura 1, são: cabelo-de-anjo (Cuscuta spp.), serralha (Sonchus oleraceus), nabiça (Raphanus raphanistrum), guanxuma (Sida rhombifolia), carrapicho-rasteiro (Acanthospermum australe), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum), mentrasto (Ageratum conyzoides), caruru (Amaranthus spp.), picão-preto (Bidens spp.), capim-braquiária (Brachiaria decumbens), marmelada (Brachiaria plantaginea), capim-colchão (Digitaria spp.), tiririca (Cyperus spp.), grama-bermuda (Cynodon dactylon), trapoeraba (Commelina benghalensis), erva-de-Santa Luiza (Chamaesyce hirta), capimamargoso (Digitaria insularis), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), falsaserralha (Emilia sonchifolia), leiteiro (Euphorbia heterophylla), botão-de-ouro (Galinsoga spp.), corda-de-viola (Ipomoea purpurea), joá-de-capote (Nicandra physaloides), mentruz (Lepidium virnicum), poaia-branca (Richardia brasiliensis), beldroega (Portulaca oleracea), pata-de-cavalo (Centella asiatica), agriãozinho (Synedrellopsis grisebachii), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), erva-detouro (Tridax procumbens), roseta (Soliva pterosperma) e fedegoso (Senna obtusifolia) (BRIGHENTI e CASTRO, 2008).
Dentre as alternativas para o controle eficiente das plantas daninhas em alfafa está o controle químico com herbicidas. Suas principais vantagens são a rapidez na aplicação, a economia de recursos humanos e a eficácia do controle das espécies infestantes. Em contrapartida, esse método exige técnica apurada, acompanhamento de um engenheiro agrônomo, pessoal capacitado e bem treinado, além dos cuidados com a saúde do aplicador e com o meio ambiente. Deve-se tomar cuidado com a frequência e dosagens de aplicação de herbicidas, por afetarem a velocidade de rebrota e a persistência do alfafal.
O número de herbicidas registrados no Brasil para a alfafa é muito limitado. Apenas o diuron é registrado para essa cultura no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esse herbicida é utilizado em alfafais com mais de um ano, em cobertura total, logo após o corte e antes do surgimento de nova brotação nas doses de 1,2 a 2,0 kg i.a./ha (RODRIGUES e ALMEIDA, 1998).
Serão descritos, a seguir, alguns herbicidas utilizados em alfafa em outros países do mundo e que apresentam boa seletividade para a cultura.
Para o controle de espécies daninhas, principalmente as de folhas largas (dicotiledôneas) há o imazethapyr, o imazamox e o paraquat. E para o controle de espécies daninhas de folhas estreitas (gramíneas) há o trifluralin, o fluazifoppbutyl e o clethodim. Entretanto, vale salientar que, como ainda não há registro desses herbicidas no MAPA, não podem ser recomendados para o cultivo da alfafa no Brasil.
No caso do imazethapyr, este herbicida é aplicado em pós-emergência precoce, até quatro folhas das plantas daninhas de folhas largas. Preferencialmente, se aplica esse produto na dose de 100 g i.a./ha quando as plantas da alfafa se encontram com a terceira folha trifoliolada (MELLO et al., 2000; SILVA et al., 2002; SILVA et al., 2004).
Fotos: Alexandre Brighenti

Figura 1. Principais plantas daninhas da cultura da alfafa.


O imazamox é aplicado em condições de pós-emergência da cultura da alfafa e controla espécies daninhas de folhas largas na dose de 28 g i.a./ha (SILVA et al., 2004; MESBAH e MILLER, 2005). É aconselhável sua aplicação 25 dias após a emergência da alfafa, a fim de evitar injúrias mais acentuadas quando da aplicação em estádios iniciais do ciclo da cultura.
O paraquat é um herbicida de contato utilizado em aplicação em pós-emergência das plantas daninhas de folhas largas e de folhas estreitas. É aplicado logo após o corte da alfafa, pois como a coroa fica abaixo do nível do solo, ela não recebe o herbicida, ficando protegida. A dose de Paraquat normalmente aplicada é de 300 g i.a./ha mais o adjuvante não iônico na dosagem de 0,2% v/v (RAINERO et al., 1995). Não é aconselhado aplicá-lo após a rebrota das plantas de alfafa, pois os sintomas de intoxicação são muito acentuados e, em aplicações excessivas, podem afetar a velocidade de rebrota e a persistência do alfafal (Figura 2).
O trifluralin controla espécies daninhas na sua maioria gramíneas, embora também seja eficaz no controle de algumas folhas largas. Em pré-semeadura incorporada, as concentrações são 445 e 600 g i.a./L. Nessa modalidade de aplicação, o solo deve estar bem preparado, preferencialmente seco ou com baixa umidade, livre de torrões, para facilitar a mistura do produto, evitando as perdas, principalmente por volatilização (RODRIGUES e ALMEIDA, 1998). A incorporação é feita por meio de duas passadas de grade niveladora. Em pré-emergência, o trifluralin é aplicado na formulação 600 g i.a./L, logo após a semeadura da alfafa. Nessas condições, o solo deve estar bem preparado, livre de torrões, restos de cultura e em boas condições de umidade. Aplicado em solo seco, há necessidade de chuvas ou irrigação num prazo de cinco dias, caso contrário a eficácia do produto é reduzida. As doses recomendadas são 0,9 a 1,2 kg i.a./ha em pré-semeadura incorporado e 1,8 a 2,4 kg i.a./ha em préemergência (RODRIGUES e ALMEIDA, 1998).
O fluazifop-p-butyl controla espécies daninhas de folhas estreitas nas dosagens de 125 a 187 g i.a./ha (MELLO et al., 2000; SILVA et al., 2004). É aplicado de preferência quando as plantas daninhas encontram-se nos estádios iniciais de crescimento.
O clethodim também é aplicado em pós-emergência para o controle de plantas daninhas gramíneas na dosagem 100 g i.a./ha mais 0,5% v/v de óleo mineral (RAINERO et al., 1995; MELLO et al., 2000).
Quando se opta por um manejo correto de plantas daninhas, é imperativa a orientação de um engenheiro agrônomo. Além disso, o fato de existir apenas um herbicida registrado para a alfafa junto ao MAPA limita de forma considerável as ações técnicas. Nesse caso, o uso de práticas culturais que auxiliem na supressão de plantas daninhas deve ser considerado, pois aumenta o potencial competitivo da cultura. A densidade de semeadura correta da alfafa, as adubações e os tratos culturais recomendados proporcionam condições favoráveis à cultura da alfafa frente à competição exercida pelas plantas daninhas (BRIGHENTI e CASTRO, 2008).
Foto: Reinaldo de Paula Ferreira

Figura 2. Área de alfafa onde se aplicou o paraquat.



quinta-feira, 6 de julho de 2017

Manejo da Alfafa

Manejo da Forragem

A produtividade e persistência do alfafal estão diretamente relacionadas ao seu manejo, uma vez que a rebrota da planta se efetua às expensas de reservas de carboidratos das raízes e da coroa da planta, acumuladas durante o período de crescimento da forrageira. O primeiro corte ou pastejo da alfafa deve ser realizado quando a cultura se encontra em florescimento pleno, com 80% das plantas florescidas, para que, por meio da fotossíntese, acumule maior quantidade de reservas de carboidratos e apresente coroa e sistema radicular bem desenvolvidos. Para as cultivares testadas na região Sudeste do país, esse período é de 70 a 80 dias. A partir do segundo corte ou pastejo, é recomendado realizar o corte ou iniciar o pastejo quando 10% das plantas entram em florescimento, período em que há equilíbrio entre a produção e a qualidade da forragem. No período de inverno pode não haver emissão de flores e, quando esse fato ocorre, recomenda-se que a alfafa seja cortada ou pastejada quando a brotação basal atingir altura média de 3 cm a 5 cm. Isto permitirá que a planta, depois de cada pastejo, acumule quantidade suficiente de substâncias de reserva para favorecer boa rebrota, elevada produção e alta persistência ao longo do tempo. O corte da forragem deve ser realizado entre 8 cm e 10 cm da superfície do solo, mesma altura em que deve ser mantido o resíduo de pastejo. O pastejo em alfafa é diário, com período de descanso na região Sudeste, no inverno, ao redor de 34 dias e, nas demais estações do ano, próximo de 28 dias. O sistema com pastejo rotacionado possibilita o descanso necessário para que a recomposição de reservas nas raízes redunde em rebrotes vigorosos e pastagens longevas e produtivas (RASSINI et al., 2008). Na Figura 1 é apresentada de forma esquemática uma planta de alfafa, formada por raiz principal, raízes laterais, coroa, brotação da coroa, hastes, pecíolos, folhas e folíolos.
A coroa da alfafa é formada por tecidos perenes provenientes do talo e também pela parte superior da raiz. A conformação da coroa é influenciada por período de frio, período de seca, práticas culturais, ataque de pragas e de doenças, vigor geral e idade das plantas. Como essa estrutura situa-se abaixo do nível do solo, ela fica protegida de danos causados pelo pastejo e pelo corte da planta, de modo que essa localização é um mecanismo natural de proteção da alfafa (RODRIGUEZ e EROLES, 2008). Na Figura 2, estão imagens da coroa de alfafa já formada com um, dois, três e quatro anos de vida.



Figura 1. Forma esquemática de uma planta de alfafa.

O rebrote da alfafa é promovido por meio de reservas de carboidratos armazenados principalmente na parte superior de sua raiz e na coroa basal, constituídos em maior proporção por amido e, em menor escala, por glicose, frutose e sacarose. Todavia, se deve salientar que, em função do tipo de exploração da planta forrageira (corte ou pastejo), esse acúmulo de reservas não é contínuo, uma vez que é interrompido em cada período de produção da planta. É nesse tempo decorrido entre intervalo de corte ou pastejo que se acumulam carboidratos não estruturais na raiz e na coroa basal. Dessa forma, um maior percentual de reservas de carboidratos na alfafa implica numa redução do tempo necessário para que o novo rebrote atinja o ponto de corte ou pastejo. Por outro lado, se forem menores as reservas, o tempo para que o rebrote atinja o ponto de corte ou pastejo será maior (RASSINI et al., 2008).
Fotos: Nora Estela Rodríguez

Figura 2. Coroa de alfafa com um (a), dois (b), três (c) e quatro (d) anos de vida.


No que se refere à qualidade de forragem, não se deve considerar somente o teor de proteína, mas também outras variáveis, como porcentagem de folhas, de talo, de fibra e de lignina, digestibilidade e consumo. Quando cortada em estádios imaturos, a alfafa produz forragem de melhor qualidade, mas isso reduz significativamente sua produção e a persistência. Estádios muito maduros produzem maior quantidade de forragem, mas de menor qualidade, embora a persistência melhore (RODRIGUES et al., 2008).
Na Figura 3, é apresentada a variação nos teores de proteína bruta da alfafa em diferentes estádios de pré-florescimento e de florescimento. Observa-se que, à medida que avança o estádio de desenvolvimento da planta, reduz-se o teor de proteína bruta da alfafa, que alcança o ápice no estádio de pré-botão. Entretanto, a alfafa não deve ser manejada no estádio de pré-botão, por não permitir a recuperação das reservas.
Além de o teor de proteína bruta e de fibra em detergente neutro (FDN) ser bastante variável conforme o estádio de desenvolvimento da planta, esses teores também dependem da altura ou do extrato em que a planta é colhida ou pastejada. Observa-se que o teor de PB diminuiu linearmente do ápice para a base da planta e os teores de fibra em detergente neutro (FDN) aumentam do ápice para a base (Figura 4). Na base da planta, as folhas são mais velhas, a parede celular é mais espessa, os teores de FDN são maiores e, consequentemente, a digestibilidade é menor (Figura 5).

 

Figura 3. Porcentagem de proteína bruta da alfafa em função de estádios de crescimento.
Fonte: Department of Agricultural, Food and Rural Initiatives (2006).
 

Figura 4. Qualidade da forragem expressa em porcentagem de proteína bruta (PB) e de fibra em detergente
neutro (FDN) em pastagem de alfafa.
Fonte: Comerón e Romero (2007).
 

Figura 5. Variação da digestibilidade da alfafa de acordo com extratos de pastejo.
Fonte: Cangiano (2007).


Autores
Joaquim Bartolomeu Rassini
Reinaldo de Paula Ferreira
Eduardo Alberto Comeron
Nora Estela Rodriguez
Marcelo Antonio Araldi Brandoli
1.Introdução 
A alfafa (Medicago sativa), leguminosa originária da Ásia Central é considerada a "rainha das plantas forrageiras", por apresentar elevado valor nutritivo, grande produtividade e boa palatabilidade. Sabe-se do seu cultivo já no ano de 700 a.C. pelos árabes e talvez tenha sido a primeira herbácea a ser cultivada no mundo (IBAÑEZ, 1976). Segundo da dados de COSTA & MONTEIRO, 1997, estima-se que a área cultivada com alfafa no mundo é da ordem de 32.266.605 ha, com a seguinte distribuição: no hemisfério norte, destaca-se como maior produtor os Estados Unidos da América, que representa também, a maior produção mundial, com 10,5 milhões de hectares ( 26% sob irrigação, segundo GUITJENS, 1990), seguidos pela ex-União Soviética, com 3,3 milhões, Canadá, com 2,5 milhões e Itália, com 1,3 milhões.
     No hemisfério Sul, o maior produtor e o segundo em nível mundial, é a Argentina com 7,5 milhões de hectares Seguido pela África do Sul, com 300.000 e Peru, com 120.000. O Brasil apresenta uma área cultivada de apenas de apenas 26.000 hectares. As dificuldades para expansão do cultivo da alfafa no Brasil ainda, vão desde o desconhecimento da cultura, passando por aspectos de fertilidade do solo, manejo, irrigação em áreas secas, produção de sementes, até a necessidade de produção de material mais adaptado e em equilíbrio com as principais doenças e pragas, que acompanham a alfafa em todo o mundo. Paim, 1994 citado por COSTA & MONTEIRO, (1997) 
A alfafa pode ser cultivada em monocultura, em rotação com outras culturas de grãos, e em mistura com várias espécies de forrageiras. Seu principal uso é como feno, silagem e pastagem para ruminantes, ou como fonte de proteínas e vitamina A para animais não ruminantes, como aves domésticas e porcos (HEICHEL, 1983). 
No Brasil, a cultura vem sendo tradicionalmente cultivada no sul do país devido, principalmente, a sua boa tolerância ao frio, bem como sua elevada exigência quanto à fertilidade do solo (CUNHA et al., 1994). 
No entanto, a expansão da eqüinocultura e a bovinocultura leiteira para áreas mais ao centro do país, tornou crescente a busca por forrageiras produtivas de alto valor nutricional, expandindo o cultivo da alfafa para regiões com diferentes condições edafoclimáticas. Somente no estado de Goiás a taxa de crescimento da bovinocultura leiteira em 1995 foi de 15,4% enquanto que a produção brasileira foi de 12,0%. Já em 1996 acentuou-se a diferença entre essas duas taxas, sendo que neste período a produção leiteira goiana cresceu 24,6% e a produção nacional foi de 6,3%(A GRANJA, 1997). No entanto, deve-se considerar que os aumentos na produtividade de quaisquer cultivos estão na dependência de certos fatores, tais como: genéticos, climáticos, edáficos e principalmente aqueles relacionados com o manejo das culturas (irrigação, pragas, doenças, entre outras). 
A suplementacão hídrica através da irrigação, se constitui numa das técnicas que podem ser adotadas visando a minimização dos efeitos do déficit hídrico. Porém, na maioria dos casos os custos são mais elevados e o acréscimo desejado na produtividade não é atingido, ficando desta forma, comprometidas a receitas líquidas do produtor. Isto pode ser atribuído em grande parte à falta de informações e conseqüente manejo inadequado da irrigação por parte dos agricultores, principalmente com relação a quantidade adequada de água e o momento oportuno de aplicação. Assim, quando dizemos manejo correto da irrigação, faz-se necessário o conhecimento das exigências hídricas da cultura no local, métodos de irrigação, levando-se em conta os mais eficazes e com menor custo possível, objetivando a máxima produtividade e conseqüentemente as maiores receitas liquídas.
2. Exigências hídricas 
A água é essencial para a hidratação dos tecidos da planta e segundo (GOMES, 1994) a necessidade hídrica de qualquer cultura esta relacionada com a evapotranspiração, que corresponde a quantidade de água que passa a atmosfera em forma de vapor, pela evaporação do solo e transpiração das plantas, mais a quantidade d'água que é incorporada à massa vegetal. Essa quantidade que é retida pela planta, que se denomina água de constituição, é muito pequena com relação a água evaporada e transpirada, e por isto se considera que a necessidade de água da planta ou do conjunto solo-planta é igual à água que é transferida para a atmosfera pela evaporação do solo e transpiração das plantas. O conjunto dos dois fenômenos é denominado evapotranspiração da cultura. 
Blad (1983), citado por GUITJENS (1990) relata que evapotranspiração ocorre em resposta a demanda atmosférica por água, mas a intensidade deste processo pode ser modificado pela quantidade de água disponível para as plantas no solo. Um decréscimo nesta quantidade poderá afetar o transporte de água através da planta, e portanto, o crescimento desta. GUITJENS (1990) cita que o potencial do solo não pode ser menor do que -200kPa. 
A evapotranspiração depende basicamente do clima, do tipo e estado de desenvolvimento da cultura. 
Normalmente quando maior a evapotranspiração, maior será a quantidade de matéria seca produzida, como mostra a figura 1 (GUITJENS, 1990).
Algumas pesquisas tem mostrado que o requerimento de água da alfafa é maior que do milho e sorgo, que realizam fotossíntese pela via C4. As estimativas do requerimento de água da alfafa varia conforme a variedade, condições de crescimento, e das perdas de água no solo pela evaporação e percolação (HEICHEL, 1983). Briggs & Shantz (1914, citados por HEICHEL, 1983) relataram que o requerimento de água está entre 631 a 834kg de H2O por kg de matéria seca de alfafa. Já Shantz & Piemeisel (1927, citados por HEICHEL, 1983) encontraram um requerimento de 890 a 957kg de H2O por matéria seca de alfafa, dependendo do cultivar. Gifforrd & Jensen (1967, citados por HEICHEL, 1983) observaram um requerimento de água de 800kg de H2O por matéria seca de alfafa, crescendo em solo úmido, e 1360kg para alfafa crescendo em solo seco. Quando a alfafa está crescendo em campo irrigado, considerando-se todos os fatores que levam à perda d'água, as taxas de requerimento de água variam de 512 a 663kg de H2O por kg de matéria seca, considerando-se as diferentes condições climáticas ao longo do ano. Estes valores sugerem que a alfafa requer cerca de 5,6 a 7,3cm.ha-1 de água por tonelada de matéria seca para satisfazer suas necessidades transpiracionais durante a estação de crescimento (HEICHEL, 1983). 
Os estágios de desenvolvimento da alfafa de maior requerimento de água são a de germinação, estabelecimento da muda, período pós-corte e na fase de produção de sementes (HEICHEL, 1983). A irrigação, principalmente nestas fases, é primordial para um bom desenvolvimento da planta e conseqüente aumento na produtividade, quando não pode-se contar com água das chuvas. O manejo da irrigação durante o crescimento vegetativo varia com a estação do ano, com as características do solo e com a situação financeira do produtor. 
Recomenda-se irrigação no período de pré-plantio da alfafa para deixar o solo em condições de umidade ideal para a germinação da semente, além de evitar o risco de encrostamento, principalmente em solos salinos, o que atrapalharia o estabelecimento da muda por aumentar o atrito do mesmo (HEICHEL, 1983).

2.1.Clima 
Originalmente, a cultura da alfafa é de clima temperado. Entretanto, atualmente, ocorrem diversas variedades produtivas adaptadas ao clima tropical, entre estas destacam-se CRIOULA e PIONNER. Seu crescimento pode ocorrer com variações de clima acima de 30° C ou abaixo de 10° C; porém a uma temperatura estável de 25° C, em condições de baixa umidade relativa do ar, a produtividade é maior (Manual do Irrigante, 1987). No verão têm-se obtido as melhores produtividades. Entretanto, no inverno, desde que não rigoroso, o ganho na produtividade pode ser compensado com o uso da irrigação. ALVIM & BOTREL (1995) informam que os resultados de pesquisas do CNPGL mostram que sob condições de irrigação, aproximadamente 42% da produção anual da alfafa pode ser obtido nesta época do ano. A temperatura influencia diretamente no intervalo de cortes, ou seja, no crescimento vegetativo. Em geral, quanto maior a temperatura menor será o intervalo(Tabela 1) (DOORENBOS & PRUITT, 1977) . 

TABELA 1. Intervalo de corte e temperatura.

Tmédia,° C
10
15
20
25
30
35
Intervalo, dias
100
50
35
25
20
18
2.2. Estado de desenvolvimento 
Quanto maior for a densidade de plantas e a zona radicular, a evapotranspiração potencial tende a ser maior. Em geral, durante o ciclo fenológico, a alfafa aumenta seu consumo hídrico no início da floração (semente) e imediatamente após o corte (silagem), quando começa a diminuir e logo se estabiliza (GOMES, 1994; Manual do Irrigante, 1987).
Para cada fase de crescimento da cultura existe a seguinte relação: 
Em que: 
Kc: coeficiente de cultivo; 
Etp: evapotranspiração potencial da cultura considerada, ou seja, quantidade de água consumida, em um determinado intervalo de tempo, pela cultura em plena atividade vegetativa; 
ETo: evapotranspiração de referência medida no lugar da cultura considerada, ou seja, é a taxa de evapotranspiração de uma superfície com vegetação rasteira.

  1. O coeficiente de cultura (Kc) é considerado um parâmetro confiável no dimensionamento do consumo d'água para os mais diversos fins, no que concerne às relações hídricas. Segundo SANTOS et al. (1996), o Kc da alfafa aumenta a partir do corte, até uma estabilização próxima aos trinta dias, para o período de primavera-verão. Para culturas como a alfafa, em função do manejo de cortes adotado, uma curva média de Kc do início do rebrote até a estabilização da área foliar, representa a seqüência contínua da variação das suas necessidades hídricas (Figura. 2). 
  2. HEICHEL (1983) encontrou taxas de evapotranspiração máxima da alfafa por volta de 7,6 a 9,0mm.dia-1, embora extremos de 4,1 a 12mm.dia-1 também foram encontrados. 
  3. O consumo médio de água estão entre 800 e 1600mm por período vegetativo, dependendo do clima e da duração do período vegetativo (Manual do irrigante, 1987). WRIGHT (1988) verificou que consumo de água foi de 1022mm (abril-outubro) durante 5 anos, num total de água de 58,1mm para produzir uma tonelada por hectare, para uma eficiência do uso da água de 17,2 Kg/ha/mm. O valor de Kc está por volta de 0,4 após o corte, aumentando para 1,05 até 1,2 imediatamente antes do próximo corte (forragem), ou até a metade da floração (produção de sementes). Neste caso, o valor de Kc se reduz bruscamente após este período (DOORENBOS.& PRUITT, 1977). 

2.2.1. Desenvolvimento do sistema radicular 
A alfafa tem um sistema radicular profundo que se estende a até 3m em solos profundos. A máxima profundidade das raízes se alcança depois do primeiro ano. O cultivo pode extrair água desde uma grande profundidade, demonstrando que o efeito da irrigação para solos rasos (lençol freático situado até 2m da superfície) é baixo. Normalmente quando a planta está completamente desenvolvida 100% da água extraída está situada de 1 a 2m de profundidade. Segundo TAYLOR & MARBLE (1986) verificaram os mais altos rendimentos quando a extração de água no solo estava confinada a uma profundidade de até 0,6m, e quando a disponibilidade de água no solo era de 16% numa profundidade de 0,6 a 1,2m e 89% na profundidade, de 1,2 a 1,8m o sistema radicular não conseguiu extrair água devido a restrição física do solo. 
Quando a evapotranspiração máxima é de 5 a 6mm.dia-1, pode esgotar-se ao redor de 50% do total da água disponível no solo, antes que absorção da água precedente afete a evapotranspiração do cultivo (FAO, 1980).
3.Efeitos do stress hídrico 
Quando a demanda da evaporação excede a capacidade da planta em transportar água através de seu sistema, ocorre o chamado stress hídrico. Embora o stress hídrico reduza a produtividade (Donavan &Meek, 1983; citados por GUIJENS, 1990) a planta apresenta uma habilidade de recuperar-se quando o stress acaba. 
Brown & Tanner (1983; citados por GUITJENS, 1990) concluíram que o stress hídrico na última metade do ciclo de crescimento não afetou a densidade de caules e folhas e o total de peso seco, entretanto, a densidade de caules diminuiu 23% quando o stress ocorreu durante os primeiros 14 dias do rebrote, e uma vez reduzido este número, as irrigações 
posteriores não foram capazes de aumentar o mesmo. Segundo HEICHEL (1983), com o aumento do stress hídrico no solo há uma diminuição do crescimento das raízes e da nodulação. A atividade da nitrogenase nos nódulos pode se reduzir até 85%. 
Umidade do solo abundante é essencial para a germinação e para o estabelecimento da plântula. Segundo HEICHEL (1983), a germinação é inibida em potenciais osmóticos de -12 a -15bars. A redução do potencial de água de -0,5 para -10,0bars durante quatro semanas causou uma redução de 28% no número de caules da muda de alfafa. Nestas mesmas condições o número de brotos foi reduzido 31%, e o peso da planta decaiu 58%.
A figura acima ilustra os vários efeitos do stress hídrico na planta da alfafa. Sendo: A: menor crescimento do caule; B, C e D: desenvolvimento anormal de flores e sementes (GUITJENS, 1990).
4.Métodos de Irrigação
Para a produção da alfafa utiliza-se o método de irrigação por aspersão, e por superfície. Dentro do método de irrigação por aspersão existem numerosas maneiras para se irrigar a cultura , variando em função da área, condições climáticas, capital investido, qualidade e quantidade de água, entre outros. Neste seminário, procuramos nos ater aos mais usuais em nosso país.
4.1. Irrigação por aspersão
O método de irrigação por aspersão consiste na aplicação de água às plantas em forma de chuva artificial, por meio de dispositivos especiais (aspersores), abastecidos com água sob pressão. Estes dipositivos especiais chamados de aspersores são basicamente, pequenos orifícios ou bocais com a função de pulverizar os jatos d'água que saem das tubulações, conferindo uma certa uniformidade na precipitação (GOMES,1996). Este método é muito indicado principalmente para solos arenosos com alta capacidade de infiltração e portanto alta percolação, inviabilizado a utilização da irrigação por superfície. Estes tipos de solos também possuem uma baixa capacidade de retenção de água requerendo irrigações constantes, com aplicação de menor quantidade d'água, o que é mais fácil de ser conseguido com irrigação por aspersão do que por superfície (BERNARDO,1989). 
A aspersão permite a utilização da quimigação (aplicação de fertilizantes e produtos químicos via água de irrigação) propiciando grande economia de mão-de-obra. Vários fatores climáticos afetam a distribuição da precipitação, como o vento, umidade relativa do ar e temperatura. Em locais de ventos fortes e constantes, temperaturas altas e de baixa umidade relativa do ar inviabilizam a utilização do método. 
Os componentes básicos são: aspersores, tubulações, conjunto motobomba, sendo este responsável pela captação da água de irrigação do manancial, sua condução à linha lateral e aspersores.
4.1.1. Sistemas de aspersão convencionais 
A denominação "convencional" deve-se ao fato de este tipo de aspersão Ter sido o primeiro a ser idealizado e ainda o de emprego mais tradicional (VIEIRA,1995) 
Na aspersão convencional a água é aplicada na cultura por meio de aspersores instalados ao longo de uma tubulação. Os aspersores são de baixa (4 a 20 mca) e média pressão (20 a 40 mca), com espaçamentos compreendidos de 6 a 36m, instalados sobre tubos porta-aspersores conectados à linha lateral e estes à fonte de abastecimento de água mediante uma rede principal de tubulações de distribuição. Os métodos de aspersão convencionais são os mais empregados devido ao menor custo de implantação e a maior flexibilidade no manejo. 
São classificados, segundo a forma de instalação, manejo das tubulações e aspersores, em portátil, semiportátil e fixo.
4.1.1.1. Sistema portátil 
São aqueles cujas tubulações de distribuição e as linhas laterais são instaladas sobre o terreno, sendo transportadas para várias posições de irrigação dentro da área. Normalmente são feitos com materiais leves, como alumínio ou PVC rígido, dotados de engates rápidos para facilitar as operações de transporte.
São sistemas que requerem menor investimento em capital. Entretanto, apresentam como desvantagem, maior necessidade de mão-de-obra. Deve-se projetar o sistema com no mínimo 2 linhas laterais trabalhando de 18 a 24 horas por dia, para que quando completar um irrigação em toda a área, deve estar na hora de iniciar uma nova irrigação.
4.1.1.2. Sistema semiportáteis
Considerado uma variação do sistema portátil, a exceção que as tubulações de distribuição (linha principal) são fixas e normalmente ficam enterradas.
4.1.1.3. Sistemas fixos 
As tubulações de distribuição e as linhas laterais cobrem toda superfície da parcela irrigada, necessitando de pouca mão-de-obra. É um opção quando o custo do sistema portátil, mais os custos adicionais com a mão-de-obra necessária para a irrigação, supera o custo de implantação da instalação fixa.
4.1.2. Sistema de aspersão não convencionais 
São aqueles empregados em condições especiais de solo, topografia do terreno, área a irrigar, disponibilidade de energia ou capacidade de investimento das instalações. Possui restrições de aplicação a determinados tipos de cultura. Destacam-se o canhão hidráulico e o pivô central.
4.1.2.1 Canhão hidráulico 
São equipamentos de irrigação que funcionam com pressões que variam de 40mca a até mais de 100mca, e cujo raio de alcance varia entre os valores compreendidos desde 30 a 100m, dependendo do modelo de cada fabricante. Na maioria dos casos o canhão hidráulico é utilizado de forma portátil, instalado sobre as linhas laterais, de maneira similar ao funcionamento de um sistema convencional. O canhão irriga separadamente cada setor da área da parcela e é deslocado de uma posição a outra após a aplicação de cada irrigação. Ele também pode ser utilizado acoplado a sistema autopropelido ou automotriz. O sistema autopropelido recebe água por meio de uma mangueira suficientemente resistente para suportar a pressão interna do líquido e os arrastes sobre o terreno. Quando se adota esta solução, a instalação da rede de abastecimento de água se reduz exclusivamente a tubulação de distribuição, normalmente enterrada, com válvulas ou hidrantes para conectar com a mangueira do sistema móvel.

4.2.2.2 Pivô Central 
O sistema pivô consiste fundamentalmente de uma tubulação metálica, onde são instalados os aspersores, que gira continuamente ao redor de uma estrutura fixa. Os aspersores, que são abastecidos pela tubulação metálica (ala do pivô), dão origem a uma irrigação uniformemente distribuída sobre uma grande superfície circular (fig. 7). A tubulação que recebe água sob pressão do dispositivo central, denominado "ponto pivô", se apoia em várias torres metálicas triangulares, montadas sobre grandes rodas pneumáticas. As torres se movem continuamente, acionadas individualmente por dispositivos elétricos ou hidráulicos, descrevendo circunferências concêntricas ao redor do ponto do pivô (GOMES,1994). 
A superfície irrigada pelo pivô é proporcional ao quadrado do comprimento (L) da tubulação de distribuição (A=Õ L2), e por essa razão quanto maior for o comprimento da ala maior será a superfíce irrigada por metro de tubulação. O investimento unitário ( em unidades monetárias por hectare), necessário para equipar uma unidade pivô, será tanto menor quanto maior for o comprimento da ala (GOMES,1994). São as seguintes as principais vantagens e desvantagens do sistema (BERNARDO, 1989): 
. A principal vantagé a economia em mão de obra, para efetuar a irrigação; 
. Economia de tubulações, quando se usa água subterrânea, pois não precisa de linha principal; 
. Mantém o mesmo alinhamento e velocidade de movimentação, em todas as irrigações; 
. Após completar uma irrigação, o sistema estará no ponto inicial, para a outra irrigação; 
. Pode-se obter uma boa uniformidade de aplicação, quando bem dimensionado.

Desvantagens:

. É muito difícil mudá-lo da área, para poder aumentar a área irrigada, por unidade de equipamento; 
. Perde 20% da área, aproximadamente ( com um raio de 400 m irriga de 50 a 54 ha de cada 40 a 140 mm/h); 
. Tem uma alta intensidade de aplicação, na extremidade do ô, geralmente variando entre 40 a 140mm/h;
. Por causa da alta intensidade de aplicação, na extremidade do pivô, precisa-se tomar cuidado com o escoamento superficial.em 
4.2.1 Irrigação de superfície 
A irrigação de superfície é um método simples, largamente empregado no Brasil, quase exclusivamente na cultura do arroz e frutíferas. Existem muitas variações mas todas envolvendo a divisão do terreno em unidades menores limitadas por pequenos diques, de modo que cada uma, de superfície quase plana denominada tabuleiro, formam um compartimento onde é colocada uma lâmina de água para se infiltrar no solo (OLITTA, 1987). 
Este método, apresenta como vantagens: maior simplicidade operacional; independem de quaisquer parâmetros climáticos; elevado potencial para reduzir o consumo de energia; aproveitamento de águas de má qualidade física, química ou microbiológica; maior margem de segurança à cultura; independe da altura das plantas. No entanto, a limitação consiste na disponibilidade de recursos hídricos suficientes; são inadequados para solos muito arenosos, com alta capacidade de infiltração e topografia plana e uniforme; limitações em solos salinos e quando a água apresenta teores elevados de sais. 
O método de irrigação por superfície apresenta vários sistemas, entre eles: irrigação por sulcos de infiltração, irrigação por faixas e irrigação por inundação. 
Para a cultura da alfafa o sistema mais utilizado consiste na irrigação por faixas .Deve-se ressaltar, que neste método, é muito importante evitar o encharcamento excessivo do solo pois a cultura da alfafa é extremamente sensível a falta de aeração do mesmo. 
Na irrigação por faixas a água é aplicada em faixas de terreno compreendidas entre pequenos diques paralelos. As faixas devem ter declividade transversal praticamente nula enquanto a longitudinal não deve ser inferior a 0,1% e nem superior a 3%. As dimensões das faixas dependem da natureza do solo, declividade do terreno e vazão. 
A vazão de entrada deve ser suficiente para manter a lâmina hídrica em toda a superfície, sem porém causar erosão. 
A eficiência da irrigação por faixas depende das perdas, que ocorrem por percolação profunda, escoamento no final do sulco e evaporação direta da água. Em média gira em torno de 60%.
5. Aspectos econômicos 
Na literatura são escassos os trabalhos envolvendo custos de produção e rentabilidade da cultura. 
A alfafa tem sido comumente utilizada para a produção de feno, uma menor parte em silagem e pastejo( principalmente na Argentina). 
Como exemplo, a Fazenda São Joaquim, localizada no munício de Pereira Barreto-SP, iniciou em 1997 o plantio da alfafa sob pivô central (sem controle da irrigação) . Atualmente, produtividade média vem situando-se na casa de 1000t/ha (oitavo corte) podendo chegar a 12 cortes/ano, com o custo estimado de 300 reais por hectare. No momento, toda a produção vem sendo utilizada para consumo próprio(fazenda leiteira) mas estimam o preço para venda em torno de 600 reais por tonelada. 
Segundo Passos(1994) citado por COSTA & MONTEIRO (1997), a produção de alfafa por unidade de área aumenta linearmente com o fornecimento de água até a capacidade de campo, desde que o solo não apresente impedimento físico e químico, tendo em vista que não tolera solos com excesso de umidade e alumínio livre, além de apresentar crescimento limitado em solos de pH baixo, ressaltando que a cultura da alfafa tem potencial de rendimento de matéria seca (MS) ao redor de 25t/ha/ano. Entretanto, esta marca muitas vezes não é atingida, principalmente pela manejo incorreto da cultura. 
RESENDE & FILHO (1994) estimaram o custo total de US$ 36,60 por tonelada de alfafa verde (área experimental de 3,3 ha) com irrigação por aspersão. Tomando-se como base uma relação massa verde/feno de 5:1, ou seja, um gasto de 5t de matéria verde para produzir uma tonelada de feno, tem-se que na produção do feno, o custo relativo à alfafa será de US$ 183, 00, ou seja, US$ 36,60 X 5ton. Somando-se a este valor o custo relativo à desidratação artificial, tem-se um custo final de, aproximadamente US$251,00 por t de feno produzido e armazenado. O autor ainda estima o preço de mercado do feno a US$ 0,29 /kg. 


sábado, 1 de julho de 2017

Irrigação na Alfafa



Manejo da irrigação

A intensificação do uso das pastagens é importante para a viabilidade técnico-econômica da produção de leite, pois a alimentação é o item de maior custo nos sistemas de produção animal. O aumento da oferta e da qualidade da pastagem reduz o custo de produção, diluindo custos de máquinas e implementos, infraestrutura e mão de obra. O pastejo rotacionado de alfafa possibilita a oferta de forragem de excelente qualidade, com alta produtividade e redução do custo da alimentação do rebanho.
A alfafa é uma forrageira que apresenta alta resposta à disponibilidade de água. Para ter boa produtividade e qualidade da forragem não deve sofrer déficit hídrico acentuado. Na maior parte do Brasil, isto só é possível com a irrigação, que aumenta a produção e a oferta de forragem de excelente qualidade por todo o ano.
Um manejo adequado da irrigação é necessário para evitar o desperdício e aumentar a eficiência do uso de água. Tal manejo consiste em um conjunto de técnicas para projetar, instalar, monitorar e operar o sistema de irrigação de modo a obter o máximo rendimento econômico com a cultura. Um bom manejo deve considerar o clima, o local, a capacidade de armazenamento de água do solo, as características da cultura e o tipo de sistema de irrigação. Como o manejo da irrigação compreende a cultura irrigada e o sistema de irrigação, neste trabalho são abordados ambos os aspectos para orientar a conduta do produtor irrigante.

Necessidades hídricas e irrigação da alfafa

Estresse hídrico
A evapotranspiração é a soma da evaporação do solo e da transpiração das plantas e representa a necessidade hídrica de uma cultura. Na produção de forragem (pastejo ou feno), o ideal é manter uma alta disponibilidade de água no solo, para que a planta se mantenha em plena vegetação. A umidade adequada do solo é essencial à germinação e ao estabelecimento da alfafa. A germinação é inibida em solos com pouca umidade ou alta salinidade, e uma baixa umidade do solo por longos períodos reduz o número de caules, de brotos e o peso de mudas de alfafa (HEICHEL, 1983).
Quando a evapotranspiração máxima da cultura for de 5 mm a 6 mm.dia-1, pode-se utilizar até 50% do total da água disponível no solo sem afetar a evapotranspiração do cultivo (DOORENBOS e KASSAN, 1994). Se a evapotranspiração exceder a capacidade de transporte interno de água da planta, haverá estresse hídrico. O estresse hídrico acentuado diminui o crescimento das raízes, a nodulação e a atividade da nitrogenase nos nódulos, que pode diminuir em até 85% (HEICHEL, 1983). O estresse hídrico na última metade do ciclo de crescimento da cultura não afeta a densidade de caules e folhas e peso seco total, mas a densidade de caules pode diminuir quando o estresse ocorre durante os primeiros 14 dias da rebrota (GUITJENS, 1990). Irrigações posteriores não recuperarão essa perda.
Consumo de água
A evapotranspiração é a resposta à demanda atmosférica por água, mas como há uma interação entre o solo, a planta e a atmosfera, a intensidade desse processo é modificada pela disponibilidade de água no solo. Um decréscimo na umidade do solo pode afetar o transporte de água através da planta e o seu crescimento. Para alfafa, o potencial matricial de água no solo não deve ser inferior a -200 kPa (GUITJENS, 1990).
A alfafa aumenta seu consumo hídrico imediatamente após o corte, nos cultivos para silagem, fenação ou pastejo (BRASIL, 1987). A necessidade de água da alfafa é maior que a do milho e a do sorgo, e as estimativas do requerimento de água da alfafa variam conforme as condições de crescimento, a evapotranspiração e a disponibilidade de água no solo (HEICHEL, 1983).
O consumo anual médio de água da alfafa está entre 800 mm e 1.600 mm, dependendo do clima e da duração do período vegetativo (BRASIL, 1987), e a evapotranspiração máxima varia muito, de acordo com as condições climáticas locais. Os resultados obtidos em diversas pesquisas mostram que a evapotranspiração da alfafa pode variar de 4,1 mm a 12 mm/dia (HEICHEL, 1983; CUNHA et al., 1994; RASSINI, 2001)), mas geralmente a ETm diária não excede 10 mm/dia. Na Itália, foi registrado um consumo de 587,3 mm e, na antiga Iugoslávia, de 629,2 mm, no primeiro e no segundo ano de cultivo, respectivamente. Ainda na Iugoslávia, a exigência anual de água variou de 545 mm a 730 mm, e o uso da irrigação suplementar aumentou de 50% a 55% o rendimento de feno de alfafa (RASSINI, 2001).
Outra maneira de apresentar a necessidade hídrica das culturas é o consumo por unidade de peso de matéria seca (kg H2O/kg MS). Heichel (1983) compilou os resultados de algumas pesquisas em que os autores relatam o requerimento de água da alfafa, que variou de 631 a 1360 kg H2O/kg MS de alfafa, dependendo da cultivar e do local de cultivo. Nos alfafais irrigados, a produção de massa seca por kg de água aumenta, o que evidencia uma maior produtividade da água em áreas irrigadas. O mesmo autor relatou que as taxas médias de demanda hídrica variam de 512 a 663 kg H2O/kg MS, sugerindo que as necessidades hídricas de 1 ha de alfafa variam de 56 mm a 73 mm/t MS durante a estação de crescimento.
Eficiência no uso da água
Além do consumo de água, também é importante determinar a eficiência no uso da água (EUA) para verificar se há desperdício e ineficiência no sistema de produção. A forma mais comum de se medir a EUA é a razão entre a massa seca da parte aérea (MSPA) e a evapotranspiração total (ET) no período entre dois cortes sucessivos (CUNHA et al., 1994). Assim, tem-se:
EUA = (MSPA/ET)
em que,
EUA – eficiência no uso da água, kg/ha de MS/mm de água;
MSPA – produção de massa seca da parte aérea da planta, kg;
ET – evapotranspiração da cultura entre dois cortes sucessivos, mm.
Em um estudo realizado nos Estados Unidos, o consumo de água da alfafa foi medido durante cinco anos, citando um consumo de 1.022 mm e uma produção de forragem de 17,6 t MS/ha, em cultivo de abril a outubro (58,1 mm/t MS/ha e EUA de 17,2 kg/ha de MS/mm de água) (WRIGHT, 1988). Cunha et al. (1994) realizaram trabalho semelhante na região Sul do Brasil, verificando que a eficiência de uso de água variou de 3,71 a 9,59 kg de MS/ha/mm. entre os diferentes cortes. Um experimento sobre pastejo rotacionado com alfafa feito na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, SP, mostrou que a eficiência no uso da água variou de 9,6 a 19,4 kg MS/mm, conforme se vê na Tabela 1.
 
Tabela 1. Produção de forragem em pasto de alfafa rotacionado e irrigado em São Carlos (SP).
 
Período
Massa de Forragem
(kg MS/ha)
Irrigação
(mm)
Chuva
(mm)
EUA*
(kg MS/mm)
13/8 a 12/9/20072.053,3146,0-14,1
20/8 a 19/9/20072.145,3165,9-12,9
24/8 a 25/9/20071.668,8172,52,29,6
2/9 a 10/10/20072.194,4155,92,213,9
10/9 a 10/10/20072.019,7199,12,210,0
17/9 a 17/10/20072.161,1114,73,2 18,3
29/9 a 29/10/20071.969,1101,954,412,6
3/10 a 2/11/20072.026,2101,955,612,9
9/10 a 8/11/20072.870,774,3 125,614,4
22/10 a 21/11/20072.752,421,2199,812,5
29/10 a 28/11/20072.957,036,1150,615,8
6/11 a 6/12/20073.012,338,2117,219,4







 












*Eficiência do uso de água
Medição ou estimativa do consumo de água
O aumento na produtividade de qualquer cultura depende de fatores como a genética, o clima, o solo, o manejo da cultura e da irrigação. Entre as dificuldades para expansão do cultivo da alfafa no Brasil está o desconhecimento da necessidade de irrigação da cultura no país (VILELA et al., 2008). Há vários métodos de medir ou estimar o consumo de água de qualquer cultura. Os métodos mais práticos para uso em propriedades rurais são as equações com dados meteorológicos e o uso de medidores de evaporação de água (evaporímetros). Esses métodos podem ser encontrados em abundância na literatura científica. Os principais métodos são descritos por Mendonça e Rassini (2008) e um estudo mais detalhado sobre esses métodos é apresentado por Pereira et al. (1997).
Manejo da irrigação
O manejo da irrigação é um recurso para racionalizar a aplicação da água às culturas. O manejo correto da irrigação requer o conhecimento das exigências hídricas da cultura e dos métodos e sistemas de irrigação utilizados, considerando os mais eficazes e de menor custo possível, objetivando maximizar o retorno econômico.
A evapotranspiração varia durante o ciclo de crescimento, seja no sistema de corte ou de pastejo, e é proporcional à área foliar da planta. No manejo da irrigação, essa variação do consumo é representada pelo coeficiente de cultura (Kc), uma proporção entre a evapotranspiração da alfafa (ETc) e a da cultura de referência (ETo), geralmente a grama Batatais. Os valores de Kc variam de 0,4 após o corte, a 1,05 imediatamente antes do próximo corte, na produção de forragem (DOORENBOS e PRUITT, 1977).

Na irrigação, deve-se repor o consumo em um período determinado pela capacidade de armazenamento e disponibilização de água do solo. Para isso, é feita uma análise prévia com o balanço hídrico, para descobrir os desequilíbrios entre a oferta e a demanda de água no sistema de produção. Por exemplo:

Máxima demanda de água da cultura: 4,5 mm/dia
CAD* (prof. 50 cm): 32 mm; AFD** (prof. 50 cm): 16 mm
Turno de rega: 16 ÷ 4 = 4 dias
Neste exemplo, o sistema de irrigação deverá irrigar toda a área em quatro dias, em condições de consumo máximo, mas nem sempre o consumo é máximo. Portanto, deve-se medi-lo para determinar qual a lâmina de irrigação e evitar desperdícios.
 
* Capacidade de água disponível, ou máximo armazenamento de água no solo.
** Água facilmente disponível; é a parte da CAD que as plantas conseguem absorver sem sofrer estresse hídrico.
Método Evaporação-Planta-Solo (EPS) para manejo de irrigação
Geralmente, é difícil determinar a evapotranspiração das plantas na propriedade rural, pois os métodos desenvolvidos com essa finalidade necessitam de várias fórmulas e muitos parâmetros climáticos, que geralmente não estão acessíveis ao produtor rural. Isso leva os irrigantes a erros técnicos, econômicos e ecológicos, irrigando sempre com a mesma quantidade de água e num intervalo fixo de tempo. Por exemplo, aplicações de 15 mm a cada 3 dias, ou de 30 mm a cada 6 dias. Como o clima muda constantemente, se o intervalo de tempo entre irrigações for fixo, a lâmina d’água será variável; se a lâmina d’água for prefixada, o turno de rega será variável.
Para evitar a prática incorreta de prefixar turno de rega e lâmina d’água de irrigação, foi desenvolvido o método EPS (Evaporação-Planta-Solo) de manejo de irrigação. O método é prático e fácil de usar, envolvendo apenas dois parâmetros climáticos: evaporação de água e chuva, que são os  mais influentes na demanda hídrica das plantas. A evaporação de água pode ser medida com o tanque Classe A ou com o evaporímetro de Piché e a chuva é medida com o pluviômetro (Figura 1).
Foto A: Joaquim B. Rassini
Foto B: Fernando Campos Mendonça


Figura 1. (A) Tanque Classe A e pluviômetro, utilizados no manejo de irrigação (método EPS); (B)
evaporímetro de Piché, que pode ser utilizado em substituição ao tanque do tipo Classe A.

A lâmina de irrigação varia de acordo com a planta forrageira, mas há uma relação entre a evaporação de água (ECA ou EPi) e a evapotranspiração da cultura (ETc). Um trabalho de pesquisa conduzido por Rassini (2001) indicou que, para alfafa, a relação é: ETc = 0,72 x ECA. Portanto, para cada 100 mm de ECA, tem-se uma evapotranspiração de 72 mm na alfafa. No manejo com lâmina d’água fixa, o turno de rega é variável. Em solos de textura média com profundidade igual ou superior a 40 cm, inicia-se a irrigação quando a diferença entre a evaporação do tanque Classe A e a precipitação pluvial (ECA - PRP) atingir valores de 20 mm a 30 mm. Na Tabela 2 há um exemplo de manejo com lâmina fixa e turno de rega variável.
 
Tabela 2. Lâmina d’água fixa e turno de rega variável (com tanque Classe A*).
 
Dia          ECAPRPECA - PRPIrrigação
(mm)Sim/Não(mm)
14,5-4,5N 
23,8-8,3N 
34,2-12,5N 
44,7-17,2N 
54,53,018,7N 
65,0-23,7S23,7 x 0,72 = 17,1
75,5-5,5**N 
85,9-11,4N 
96,1-17,5N 
106,3-23,8S23,8 x 0,72 = 17,1










* Pode-se utilizar o tanque Classe A ou o evaporímetro de Piché.
** A diferença é zerada sempre que feita a irrigação.
 
Em sistemas com turno de rega fixo, a lâmina d’água de irrigação é variável. Calcula-se a diferença (ECA - PRP) acumulada durante o turno de rega para verificar se um valor mínimo foi atingido, e a irrigação será feita se a diferença atingir valores entre 15 mm e 20 mm ao fim do turno. Se não, acumula-se a diferença por mais um turno. Na Tabela 3, há um exemplo de manejo com turno fixo e lâmina variável, utilizando-se o evaporímetro de Piché ao invés do tanque Classe A.
Tabela 03. Turno de rega fixo e lâmina d’água variável (com evaporímetro de Piché*).
 
DiaECAPRPECA - PRPIrrigação
(mm)Sim/Não(mm)
14,1- --
24,8- --
34,25,0 --
44,3- --
55,13,0 --
Acumulado (1 a 5)22,58,022,5 - 8,0 = 14,5Não-
65,0- --
74,2- --
84,1- --
93,9- --
104,1- --
Acumulado (1 a 10)21,3-14,5+21,3 - 0 = 35,8Sim35,8 x 0,72 = 25,8











* Pode-se utilizar o tanque Classe A ou o evaporímetro de Piché.
Duas considerações devem ser feitas quanto ao manejo da irrigação da alfafa:
a) Não irrigar a cultura imediatamente antes do corte ou pastejo; o umedecimento da camada superficial do solo dificulta a colheita de forragem e predispõe ao “mofo” no material colhido (no caso de corte) ou à compactação do solo (no caso de pastejo);
b) Irrigações muito frequentes prejudicam o desenvolvimento inicial da planta (diferenciação foliar) e levam ao crescimento superficial do sistema radicular. A planta deve sofrer um ligeiro déficit hídrico por 5 a 7 dias nessa fase, para forçar o desenvolvimento de um sistema radicular profundo.

Sistemas de irrigação

Na cultura da alfafa, podem ser utilizados sistemas de irrigação por superfície ou por aspersão. Apesar de ser um método simples, a irrigação por superfície implica na sistematização do terreno e é mais utilizada no cultivo de arroz irrigado (inundação) e de horticultura (sulcos). Portanto, os sistemas de irrigação por aspersão são mais comuns na cultura da alfafa.
Os sistemas de irrigação por aspersão são compostos, basicamente, por aspersores, tubos e conexões e pelo conjunto motobomba. A água é  captada pelo conjunto motobomba e chega aos aspersores através da tubulação (tubos e conexões), que pode ser de aço zincado, alumínio, PVC ou polietileno (PE).
Os sistemas de irrigação por aspersão utilizados na cultura da alfafa são: aspersão convencional, aspersão em malha, pivô central e autopropelido.
Nos sistemas de irrigação por aspersão convencional (Figura 2), geralmente são colocados vários aspersores em uma mesma “linha lateral”  (tubulação onde estão instalados os aspersores). Os sistemas de aspersão convencional são divididos em 3 tipos:
a) portátil: Todas as partes são móveis, inclusive o conjunto motobomba; são mais utilizados em cultivos itinerantes (batata, tomate e outros);
b) semiportátil: Conjunto motobomba e linha principal fixos e linhas laterais móveis;
c) fixo: Todas as partes fixas, inclusive as linhas laterais.


Figura 2. Sistema de irrigação por aspersão convencional.



Os sistemas de aspersão convencional portáteis e semiportáteis têm custo de aquisição entre R$ 3.500,00 e R$ 4.500,00 por hectare (a preços de 2014). Entretanto, apresentam custos maiores de manutenção (5% do preço de aquisição) e de operação (mão de obra + energia), devido à movimentação de tubulações e de aspersores e à maior potência da motobomba por área irrigada (3 a 8 cv/ha).
Na última década, popularizou-se o sistema de aspersão em malha, devido à sua praticidade operacional. É um sistema de aspersão fixo, cujas linhas laterais são chamadas de “malhas” e no qual só os aspersores mudam de posição. Coloca-se apenas um aspersor por malha (Figuras 3 e 4), e a água chega ao aspersor pelos dois lados da malha, o que possibilita o uso de tubos de pequeno diâmetro (geralmente 25 mm ou 32 mm).


Figura 3. Sistema de irrigação por aspersão em malha.


Foto A: Fernando Campos Mendonça
Foto B: Reinaldo de Paula Ferreira

Figura 4. Sistema de aspersão em malha: (a) alfafal recém-implantado; (b) alfafal em pleno pastejo rotacionado.

Os sistemas de aspersão em malha têm custos de aquisição entre R$4.500,00 e R$ 6.000,00 por hectare (a preços de 2014). Apresentam baixo custo de manutenção (3% do preço de aquisição) e de energia devido à ausência de movimento da tubulação e à menor potência por hectare irrigado (1 a 4 cv/ha). Entretanto, sua utilização tem caído nas propriedades rurais de produção de leite devido ao aumento do custo da mão de obra. Os aspersores são mudados de posição manualmente e no pastejo rotacionado há várias cercas. Assim, o custo e a necessidade de mão de obra são maiores que em sistemas de aspersão convencional fixa.
O sistema de aspersão convencional fixo (Figura 5) tem-se popularizado entre os produtores rurais, mesmo tendo custos maiores (R$ 6.000,00 a R$10.000,00 por hectare), devido à menor necessidade de mão de obra. Como todos os tubos e aspersores são fixos, o operador faz apenas o direcionamento da água para os setores a serem irrigados a cada dia. Geralmente, em pequenas áreas (iguais ou inferiores a 10 ha), irriga-se um setor por dia, o que possibilita ao operador fazer apenas duas operações por dia: fechamento do fluxo no setor anteriormente irrigado e abertura do fluxo para o setor a ser irrigado. Esse sistema facilita a automatização das operações e a realização da irrigação no período noturno, no qual se pode pagar menos pela energia elétrica utilizada (tarifa noturna reduzida) e alcançar maior eficiência de irrigação, devido à menor evaporação de água durante a irrigação.


Figura 5. Sistema de irrigação por aspersão convencional fixa.


O pivô central (Figura 6) é mais utilizado em áreas acima de 40 ha. É constituído por várias torres triangulares, cujo número depende do tamanho da área irrigada e que sustentam uma linha lateral aérea, onde estão os aspersores (sprays). Os sprays são de baixa pressão (10 a 14 mca) e o sistema tem motobomba com potência/área de 3 a 6 cv/ha. A linha lateral do pivô central recebe água de uma adutora subterrânea, que vai da motobomba ao centro da área irrigada (“ponto do pivô”). O pivô irriga áreas circulares e moves-se por meio de motores elétricos instalados em suas torres.
Devido a suas características, o custo de aquisição de um pivô central é inversamente proporcional à área irrigada. Por isso, é economicamente mais interessante em áreas maiores que 50 hectares, pois os custos de aquisição e instalação são divididos por uma área irrigada maior. De modo geral, os custos de instalação de um pivô giram em torno de R$ 5.000,00 a R$ 8.000,00 por hectare e seus custos de manutenção são equiparáveis aos da aspersão convencional fixa e enterrada. Entretanto, o custo operacional (energia e mão de obra) é menor, devido à relação potência/área e ao fato de um operador operar áreas de até 300 ha.
Foto: Reinaldo de Paula Ferreira

Figura 6. Pivô central irrigando alfafa.






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